
A imagem fotográfica tem múltiplas faces e realidades. A primeira e mais evidente está ali, é o conteúdo da imagem fotográfica, congelada, imóvel, registrada no documento, é um testemunho, uma segunda realidade.
As outras faces são exatamente as que não podemos ver, ficam ocultas, não se explicitam, chamamos de primeira realidade. Podemos intuir, é o outro lado do espelho e do documento, é a vida, a situação dos homens retratados, a história do tema, ou seja, a realidade interior.
Ao apreciarmos uma fotografia, nos vemos ali, parado, quase sem perceber mergulhando no seu conteúdo, imaginando a trama dos fatos, tentando descobrir o que estava acontecendo naquele exato momento, as circunstâncias em que estava envolvido o assunto, enfim, é um exercício mental de reconstituição quase intuitivo.
Podemos ver que a reconstituição, sendo ela dirigida a investigação histórica ou até mesmo como mera recordação pessoal, sempre implica num processo de criação de realidades, onde se resulta em imagens mentais elaboradas pelos próprios receptores envolvidos. KOSSOY (1996, p. 136) In: SAMAIN, 2005, p.40).
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